As deficiências na informação sobre a força de trabalho da saúde em África, um continente com o pesado fardo das doenças, são exacerbadas pela crise da força de trabalho da saúde. É reconhecido que a melhoria drástica da base de dados dos RHS é fundamental para resolver esta crise. O desenvolvimento de políticas e planos nacionais depende da manutenção de dados exactos, com boa qualidade. No entanto, os actuais sistemas de informação sobre RHS nos países Africanos são, na sua maioria, incapazes de apoiar adequadamente o desenvolvimento, implementação, acompanhamento e avaliação de tais acções. Os dados são na sua maioria escassos, fragmentados e mantidos por várias agências. Todos os sistemas dependem de diferentes fontes, tais como órgãos reguladores dos profissionais de saúde, funcionários dos serviços de saúde, instituições de formação em saúde, organizações religiosas, recenseamentos ou inquéritos, registos de pagamentos e outros serviços diversos em estatística, para os quais a completude, actualidade e comparabilidade são bastante variáveis, com os desafios da combinação e compilação de informações de múltiplas fontes. Além disso, outros grandes problemas afectam também o funcionamento dos SIRH existentes, entre eles, estão:
1. O acesso limitado às tecnologias da comunicação, bem como a falta de uma infra-estrutura que têm, até agora, limitado a capacidade dos países para recolher, compilar e analisar os dados da força de trabalho. Os sistemas de informação sobre RHS ainda usam principalmente papel, em vez de dados informatizados. O inquérito de 2004 realizado pelo Escritório Regional da OMS para África, mostrou que 22% dos departamentos da força de trabalho da saúde dos ministérios da saúde na região não tinham instalações computorizadas e 45% não tinham acesso a correio electrónico;
2. Os indicadores, instrumentos e formulários utilizados são inadequados e não padronizados. A maior parte dos dados/informação mais valiosos não é disponibilizada imediatamente após o evento a que se refere, porque os formulários preenchidos são submetidos tarde demais. As bases de dados não dispõem de informações actualizadas e confiáveis sobre os diferentes domínios dos RHS, como a distribuição por sector, geografia, sexo e idade. Além disso, os sistemas não cobrem todos os aspectos dos principais dados necessários à gestão e planeamento;
3. A qualidade e a quantidade dos dados produzidos, incluindo a precisão, são também inadequadas para fins de planeamento e gestão de RH. Mesmo quando a quantidade e a qualidade dos dados são adequadas, há outras limitações para o uso eficaz desses dados, em grande parte devido à ausência de indicadores fundamentais sobre a força de trabalho e classificações claras das ocupações. Além disso, quando os dados estão relativamente disponíveis, a tradução de dados em evidência para os decisores tem sido muito prejudicada pela falta de consistência dos dados e capacidade de processamento dos mesmos.
4. A escassez de recursos humanos nos SIRH é também outra questão crítica em diferentes níveis. As tarefas de recolha e comunicação são muitas vezes dadas aos prestadores de serviços de saúde, já por si sobrecarregados, que vêem este trabalho como adicional e indesejável, além de não se acharem responsáveis pela recolha de dados e relatórios sobre os RH.
Esta situação não permite gerar uma imagem completa e actualizada dos movimentos da força de trabalho nem identificar lacunas e deficiências graves a fim de apoiar as políticas e os planos de RHS, o que pressiona alguns países a organizar periodicamente recenseamentos e inquéritos dispendiosos sobre os RHS, em vez de reforçar os sistemas de modo a aumentar a cobertura, a gestão e a sustentabilidade. A este respeito, a maioria das Direcções das unidades de RHS dos Ministérios da Saúde têm, até agora, limitado a sua capacidade de gerir e identificar as questões relativas aos RHS e de acompanhar adequadamente os desequilíbrios dos RHS e o desenvolvimento descontrolado do pessoal e da gestão das carreiras.
Para melhorar os SIRH, deveria ser-lhes dada a atenção requerida para ultrapassar estas questões e desafios. São necessárias infra-estruturas e tecnologias de comunicação, e ferramentas e mecanismos adequados com pessoal especializado, como estatísticos, demógrafos e programadores informáticos para supervisionar a qualidade dos dados e as normas de recolha, e para assegurar a análise e utilização adequadas das informações para a tomada de decisão.
Ferramentas e documentos úteis
Handbook on monitoring and evaluation of human resources for health :With special applications for low- and middle-income countries
Este Manual oferece aos gestores, investigadores e formuladores de políticas na área da saúde uma referência global e padrão para o acompanhamento e avaliação dos recursos humanos para a saúde. Reúne um quadro analítico com opções estratégicas para melhorar a informação sobre a força de trabalho da saúde e bases de dados, assim como experiências de países, para destacar abordagens que têm funcionado. Pode fazer o download do Manual [pdf 3.4 Mb] from www.who.int/hrh/documents/en/.
2. Framework and Standards for Country Health Information Systems, segunda edição.
Genebra, Health Metrics Network e Organização Mundial da Saúde, 2008
Explica porquê e como os países podem construir sistemas mais eficazes para recolher, gerir, analisar e distribuir informação sobre saúde. A Segunda Edição tem novas e importantes contribuições de países e parceiros, em particular na elaboração de métodos e normas.
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3. Declaração de Kampala e Agenda para a Acção Global .
Genebra, Aliança Mundial da Força de Trabalho da Saúde e Organização Mundial da Saúde, 2008.